Imersão
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| Pintura e Texto - Rafael A. Domingos |
Quando me olho, vejo-te.
Em nós há um pouco de todos,
em todos há um pouco de nós.
As vezes subestimo-me de tudo que já fiz,
de tudo que sou, acho pouco, acho muito.
Mas o que é pouco e muito?
Em pleno o gozo da "juventude"
as questões são montanhas, nas
costas. ( quero a criança que fui de volta)
As minhas evasões vem em dias de esquecer,
viver, e há muitas não, submeter-me.
Quando as palavras se incorporam e
ganham cuidado na sua composição,
torna-se eu.
Em borrões de tinta posso sucumbir-me,
perde-me, encontrar-me, nos sentidos das
pinceladas dançar... As vezes nada consigo ver.
Nas minhas expressões há variantes das inconstâncias,
que sou.
Essas estranhezas, vislumbres, são olhos de vidro,
as vezes nítidos da nossa "sanidade", as vezes sujos e rachados,
dificuldades para enxergar.
Imersão em si, é abismo vasto.
Dentro do universo interno há espaços imensos,
amontoados, fios embaraçados, caminhos confusos.
Variantes de mim (nós)
A maior beleza está na imersão dos nossos universos,
nas ramificações internas, externas, nos conjuntos das
sensibilidades, das composições.
Que compõem-me.
Nas notas de Chopin,
peso e leveza, equilibro.
Profundidade.
Vejo-me em suas notas.

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