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ando tão cansado... A faca no chão parece me provocar e juntos dos cabelos a metade da gilete me lembra coisas ruins. Na madruga estou tentando ajeitar a bagunça, a zona que esta em casa, tentando esquecer do vazio que sentindo por dentro. AO som de Aurora, que parece um anjo estou tentando me organizar... cada dobrada de roupa sento com as costas doendo, com corpo moído, encolhido e curvo... estou sentindo lá no fundo uma melancolia intensa... Essa sensação  de que  não há jeito para nada, que tudo esta sem rumo. E está... Eu me engano, como se assim fosse ( e as vezes é) tornar a vida ais fácil... A realidade é dura,  além sermos enganos desde sempre (manipulados) inconscientemente,  sofrer com auto engano..
Sinto o declínio da sanidade, o esgotamento transborda e me afoga, nas incertezas de tudo... Sinto a agonia de procurar evasões vazias. Em cascas supérfluas, criar formas externas de afirmação. Todo tempo, todos os lados emitem formas de posturas, e gritos silenciosos, velados... É como um irmã, você apenas sente-se puxado sem um controle, você se envolve e entrega seus olhos ao marasmo confortável. Mas será que é só isso? Dias iguais, repetições daquilo automático. Me sinto um furacão em erupção, queimando por dentro, sinto o desastre da gaiola "invisível". Engessado, imóvel, inerte... Até as lagrimas são controladas, elas vem e ficam bloqueadas, e como pesam... É inexplicado o conflitos de sensações e emoções. Nilismo, céticismo e todo peso de entender-se, de ser, de precisar SER. Queremos só conformo e gozo! Perder a sanidade é como uma luz no fim do túnel. talvez seja a melhor gozada!

Autorretrato : Corpo - Esboço - Ângulos - Imersão - Reconexão...

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Ângulos, Imersão, reconexão... Dobras, excessos, contorção (aflição)... Foram noites (são) dias de olhadas em todos os reflexos. Horas para compensar mutilações. Aflições. No breu era mais confortável, mas os toques   causavam repulsa e precisava mais que um escuro. A "ameba" queria um buraco para se esconder... Os cantinhos, de preferência, sozinho. A introspecção sempre foi o melhor lugar.   " Como vou ficar descalço, todos irão ver meu pé...."  Ei, pé de bola... Essa lancha... Tá todo mundo vendo meu pé... Seu  tá inchado?... Analisando-se  Textos e desenhos Rafael Antonio Domingos.
No fim estaremos sozinhos, não terá mãos para segurar, ombros para chorar... Somos a melhor companhia de nós, O acalento de nós mesmos! As relações de amizades, gozos, prazeres não devem ser apegos. E como já diziam: todo dia é um dia  a menos, não ( há )mais. Essa matéria que nos projeta, está em decomposição... Me perco e não me vejo... Faço dos excessos meu grito, do que pode ser um desespero...
No escuro cai tudo por terra, o que vale são os sentidos, as sensações. É como enxergar  sem os olhos, é ouvir com atenção, sentir os cheiros, as emoções. Não importa as aparências, no escuro isso não faz diferença. No  blecaute, você tem que encarar sua própria escuridão. Será que enxergamos mesmo? Ensaio sobre a Cegueira? Despertar os sentidos além do automático, comodo, é experimentar, vivenciar,  uma forma de em nós entrarmos...

Morte

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Pintura e Texto : Rafael Antonio Domingos. Quando ela se faz presente entre a vida, fica as lacunas, as feridas. O choque de não existir, é algo que deixa um grande vazio, uma grande lacuna sem poder expressa-lá, o que se passa na mente, nos sentimentos. A sensação é de cair em um abismo escuro que nunca tem fim ( um despencar continuo) Me perguntaram o que  me faz crer que estou vivo. E um vaco sempre toma conta... Incógnita É preciso fazer um lembrete: Todos os dias são únicos. Todos os segundos, instantes. São únicos. Ser racional é lembrar que sair de casa, não quer dizer que irá voltar. A morte é incógnita Cria-se uma dualidade, uma briga que todos que se questionam devem passar. Se cada momento é único,para que se irritar? se limitar, brigar... Sistema de merda, homem evoluído de merda! Pés nos chão! Trabalhar demais é morrer em vida, não se questionar, não dançar, ou só em casa ficar, é morrer em vida. Para que esperar o momento chegar para que...

Imersão

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Pintura e Texto - Rafael A. Domingos Quando me olho, vejo-te. Em nós há um pouco de todos, em todos há um pouco de nós. As vezes subestimo-me de tudo que já fiz, de tudo que sou, acho pouco, acho muito. Mas o que é pouco e muito? Em pleno o gozo da "juventude" as questões são montanhas, nas costas. ( quero a criança  que fui de volta) As minhas evasões vem em dias de esquecer, viver, e há muitas não, submeter-me. Quando as palavras se incorporam e ganham cuidado na sua composição, torna-se eu. Em borrões de tinta posso sucumbir-me, perde-me, encontrar-me, nos sentidos das pinceladas dançar... As vezes nada consigo ver. Nas minhas expressões há variantes das inconstâncias, que sou. Essas estranhezas, vislumbres, são olhos de vidro, as vezes nítidos da nossa "sanidade", as vezes sujos e rachados, dificuldades para enxergar. Imersão em si, é abismo vasto. Dentro do universo interno há espaços imensos, amontoados, fios embaraçados, caminhos ...

Explosões.

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Explosões Pintura e texto Rafael A. Domingos Carrego dentro mim uma bomba relógio. Há qualquer momento pode explodir, e destruir-me por inteiro. Minhas emoções. O maior devastador da nossa especie, O maior dominante de nós. Nessa explosão, morre-se ou vive-se. Afunda ou emerge, dança ou recolhe-se. Nessa erupção, as emoções rodeiam queimam, esfriam, criam, destrói. Explosões são como redemoinhos desgovernados que se governa acalmam -se. Regeneram-se. Não se sabe por quanto tempo, ficaram, Apenas sabe-se que de nós fazem parte.
Situar-se  é necessário como um pressagio. Em todo caminho  há estrelas, já dizia Quintana. O nosso caos nos cega,  parece amnesia Essa venda nos olhos nos impede  de sermos melhores quando não reconhecemos que  em dias piores, também nos tornamos nobres. Todo vilão já foi mocinho, oprimido. Ao não exercer quem somos, desde o grotesco, profundo e superficial, Seremos incompletos e irreais. desumanos  e continuaremos sendo animais. Estatuas são lembranças congeladas no tempo, perecível ao tempo. Vamos tirar as mascaras de tempos que nos assombram, desmascara-los, bate-los de frente. Essa luta com tempo que nos trás quem já fomos, é um elo que precisa se juntar, para o quem somos no presente continuar a caminhar...

Deus

Quando me perguntam o que é deus,  logo penso: Deus é a vida, é o ar que entrar nas narinas, o chão que tu pisas, o cachorro que late, o rato do esgoto. Deus é você, sou eu! Deus é o ladrão, os mendigos e a elite. Deus é amor, raiva, tristeza felicidade, Ódio, e todas emoções Deus é humano, animal, (átomos) deus  é todos.

Fragilidade..

Mostrar nossas feridas, é abrir a janela da nossa imensidão, não é ser frágil, é efusão. É mostra que existem dois lados da casca, da nossa superfície. Atrás dos olhos, é possível entrar. Semelhantes  a nós, podem, nos inspirar, mesmo com  suas dores. Na semelhança o incomum se torna um lampejo de esperança...

O tempo é uma brecha de tempo, no momento presente?

É domingo de um feriado prolongado, lá fora, garoa fina e neblina, Consigo ver pela luz do poste da rua. Já no banheiro, debaixo do chuveiro, com a luz apaga e deixando a água  cair, Fiquei pensando no tempo. O tempo é uma brecha de tempo, no momento presente? Como se mede o tempo, Não consigo descrever o tempo, Será que nós somos o tempo? Fico gastando esse tempo, pensando no tempo.

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Como em um único dia, pode-se encontrar a magia, de conversar, abrir-se e se sentir à vontade, como se fosse uma longa amizade. Fazia alguns anos que eu não sentia frio na barriga. Fico assustado, É um sentimento bagunçado, que um dia me revirou bagunçou... Uma breve queimação, com ar pesado no estomago! Euforia, Quase um orgasmo de intelecto, sem  tocar. Um beijo especial...
Feminino masculino, macho, É bagunçada essa divisão, no organismo correm as duas esferas, macho e a fêmea... É efêmera o que são. É obvio a estruturação biológica... Mas o que isso importa, quando na mente brincam essa fluidez de ser... Querem nós enquadrar, hostilizar. o social é só onda oscilando o tamanho, velocidade. Não é constante, uma hora quebra e se mistura no mar.
No meu pequeno espaço quadrado, porta amarela manchada de tinta óleo, parede marcada com mãos de tinta, minhas marcas de momentos de completa desordem... Nesse espaço que expressa o que sou por dentro e por fora. Deitado na cama de cara com a pia, Esse pequeno espaço são os traços, do meu dia a dia. Onde  fundo-me com  todo o resto, me tornando apenas esse espaço pequeno , quadrado.
Foi no pé de manga que mal tava manga. Já velho, mas ainda estava em pé, O quintal era grande, muito mato e arvores, Ainda era criança, amava se pendurar nas arvores e imaginar. Foi no pé de manga, que nem está mais lá! Não me lembro ao certo, só me vem os flashes, e o dia nublado. Ali a igreja "teria condenado mais um pecado" abominado. Quando subi no pé manga, lá já estava, cheio de lábia. Na adolescência e na infância, distintas mudanças. A adolescência,no fervo dos hormônios, pelos pubianos, está latejando! querendo sair... A infância, inocência... caiu de boca. Ali uma mudança começava, despertava, coceiras que nem sabia que tinha... No pé de manga, pela primeira vez viu "catarro'' Sair de outro lugar. Macio e cheiro forte, gosto esnobe! 
Hoje eu comi por mim por você, por três, por seis. Pela ignorância, pela inconstância, pela infância Por causa do buraco nas minhas entranhas. Buraco fundo que sempre cabe mais. Buraco faminto daquilo que sinto. Comi pela minha família, pelo caos, da bebida, Comi por  meu passado, comi meu futuro, comi por minha alma, comi tudo.                                        Rafael A. Domingos
As vezes fico tão acelerado, que nem vejo o estrago, de não ter percebido os caminhos, que eu tenho andado.                              

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Agora estou a pensar... A escrita que faço sou eu? Não existe separação, esse é o meio de vomitar o que aqui dentro fica a me agoniar, querendo sair e ser lançado no  universo. O que vós leem, é o vomito das minhas entranhas, é o  que se esconde no meu âmago.                                                                                         Rafael A. Domingos
É difícil querer se descrever quando  estamos em constante mudança, o  que eu  amava ontem,  hoje posso odiar. Os gostos mudam, as pessoas mudam, nós mudamos (mudaremos). É muito bonitinho ter uma descrição de quem se é ( ou de quem pensa que é, ou quer ser?) Eu não gosto de subestimar, mas eu nunca tive algo definido. Eu coloco dúvida, a minha cara pode mostrar o que eu não sou... atribuem minha indecisão ao meu signo de libra! Sendo que sou um desequilibrado... A vida me deixa atordoado, olha o que somos e criamos, somos mudança desde os registros, e o que será, que seremos? Estamos em um nível  insano, onde está todo mundo em conflito, consigo e com o outro.